Edifícios de Apartamentos a Venda

Edifícios de Apartamentos a Venda

Edifícios de apartamentos a venda — a modernização da moradia no Rio de Janeiro

À procura dos sentidos da modernização Edifícios de apartamentos a venda buscamos no surgimento da cidade moderna os seus elementos mais significativos. Dentre os vários novos tipos de edificação ou esferas de vida, como os denomina Habermas (1987), desde fábricas até arranha-céus, destaca-se a habitação coletiva.

Este paper esboça uma história da moradia nos tempos modernos no Rio de Janeiro, tendo como ponto de partida as habitações populares coletivas e insalubres surgidas a partir do processo de urbanização e industrialização. Acompanhando passo a passo as transformações havidas no espaço urbano e na habitação, delineia-se uma sequência de tipos arquitetônicos claramente definidos, que se inicia com as estalagens, os cortiços, as casas-de-cômodos e as avenidas, às quais se seguem as vilas. Posteriormente inicia-se o processo de verticalização, com o
surgimento do edifício de apartamentos. Paralelamente desenvolvem-se as favelas, num contraponto que assinala as desigualdades sociais no espaço urbano.

Esta reconstituição histórica mostra claramente como no processo de modernização a moradia apresenta uma série de melhoramentos de ordem higiénica, espacial e construtiva que foram sendo incorporados pela ação do mercado e/ou do Estado. Este processo, no entanto, se fez acompanhar de forte exclusão social, afastando os grupos de menores rendimentos dos benefícios desta modernização. Outros aspectos teóricos destacados são a fragmentação do espaço e a relação moradia/trabalho.

A CIDADE DO RIO DE JANEIRO

O período que compreende a segunda metade do século xix e primeiras décadas do século xx foi marcado por mudanças de ordem económica, social, política, cultural e espacial. Em meio a estas transformações estruturais começou a emergir da pequena cidade comercial com feição colonial uma cidade industrial com aspectos de moderna metrópole capitalista.
Ressaltam nesta transição a substituição do trabalho escravo pelo assalariado, a formação de mercados e a mercantilização de bens, inclusive a moradia e o trabalho, a decadência da cafeicultura fluminense, o desenvolvimento dos setores secundário e terciário da economia, a definição de novas categorias sociais e a substituição de elites no poder, com a queda do império e a proclamação da República1 . O crescimento demográfico foi intenso: a população aumentou de 235 000 habitantes em 1870 para 522 000 em 1890. Foram criados modernos serviços públicos: sistemas de transporte coletivo (bondes puxados a burro e estradas de ferro), de esgoto, deabastecimento de água, telégrafo, iluminação a gás, telefone, energia elétrica, etc.

A implantação de alguns destes sistemas, como as redes de água e de esgoto e os meios de transporte coletivo são exemplos em que se percebe a exclusão conectada à modernização. Não somente o fornecimento de água, a eliminação dos dejetos e todo tipo de deslocamento de cargas e passageiros era executada pelo braço escravo, mas, como lembra Reis Filho (1978), toda a produção e o consumo da cidade (e da casa) se apoiavam sobre a força de trabalho escrava. No país que se modernizava, este trabalho não foi somente substituído pelo trabalho assalariado,
mas pelas inovações tecnológicas que impunham redução numérica, maior qualificação e disciplina da força de trabalho empregada. À medida que carris de ferro rodaram sobre trilhos e que água e esgoto fluíram através de tubos e canos de ferro, os escravos foram dispensados junto com liteiras, carroças, baldes e barris.
Muitos «tigres2», aguadeiros, carregadores e carroceiros foram postos à margem da economia urbana, excluídos pela modernização.

Estes trabalhadores aumentavam o contingente de escravos, libertos e imigrantes nacionais e estrangeiros que, chegando à cidade à procura de meios de sobrevivência, buscavam a área central, onde se concentravam moradia e trabalho e fervilhava a vida urbana. Nesta época a estrutura urbana se resumia na aglomeração de atividades e populações no núcleo; só lentamente os transportes coletivos viabilizariam a expansão e o espaço começaria a se especializar, definindo áreas centrais (comerciais), residenciais e industriais. Em resposta à crise habitacional que se agravava, foi no centro que se multiplicaram as moradias possíveis para esta população: as habitações coletivas.

HABITAÇÕES COLETIVAS INSALUBRES

A necessidade de moradias baratas para trabalhadores, a limitada disponibilidade de construções para atender a esta demanda, os altos aluguéis, a possibilidade de obtenção de bons rendimentos por parte dos privilegiados proprietários e arrendatários de prédios e terrenos são fatores que fizeram com que se multiplicassem
estas moradias.

As estalagens eram grupos de minúsculas casas térreas enfileiradas — os quartos ou casinhas —, de dimensões, compartimentos e demais elementos reduzidos ao extremo, que surgiram por volta de 1850. As casas-de-alugar-
-cômodos, ou casas-de-cômodos, eram casas subdivididas internamente que se multiplicaram no período republicano. Estas eram as formas possíveis de aproveitamento do restrito espaço disponível nas antigas freguesias centrais. Assim, os quintais e terrenos livres foram cobertos de frágeis casinhas e, posteriormente, casas foram desocupadas e subdivididas em cômodos. Lotes e casas eram encortiçados e transformados em estalagens e casas-de-cômodos. Apesar de serem objetos arquitetônicos de formas diferentes, são iguais em sua essência, não
apenas por serem indistintamente chamados de cortiços3 , nem por terem os mesmos elementos de uso coletivo — w.c, banheiro, tanque, pátio ou corredor —, mas também por serem todos produtos resultantes de um mesmo sistema de produção de moradias edifícios de apartamentos a venda. Neste sistema, proprietários cediam seus imóveis (casas, quintais, terrenos) a terceiros que investiam pequenas economias na construção de casinhas ou na subdivisão das edificações existentes. Os aluguéis eram considerados exorbitantes e os rendimentos fabulosos. Construir pequenos cortiços
ornou-se uma prática comum entre proprietários e arrendatários de edificios de apartamentos a venda; na virada do século estavam presentes por toda a cidade, abrigando considerável parcela da população.

Edifícios de Apartamentos a venda

Numa estrutura urbana marcada pela concentração de usos e populações, a multiplicação das habitações coletivas, ao mesmo tempo que se aproveitava destasituação, contribuía para acentuá-la. As densidades demográficas edomiciliares tornaram-se cada vez mais altas. À medida que aumentava a aglomeração, reduziam-se as condições de higiene no interior da habitação. As condições e a salubridade se agravavam: periódicas epidemias de cólera, varíola e febre amarela atingiam a cidade.

Uma relação entre as habitações coletivas populares e a insalubridade da cidade foi rapidamente detectada. As habitações coletivas passaram a ser consideradas como a causa da insalubridade, e por este motivo foram condenadas a desaparecer, substituídas por habitações higiênicas. Neste combate às moradias populares insalubres destacaram-se certos agentes sociais: por um lado, o Estado,atuando através da restrição à construção de novas moradias, da imposição de normas higiénicas e da intervenção direta (fechamento de cortiços); por outro, os

novembro 27, 2018 / by / in

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